Campanha de vacinação sincronizada de gado no país prevê atingir mais de 2 milhões de efectivos

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O Governo, através dos Serviços Veterinários desencadeou desde dia 22 de Maio último uma campanha de vacinação de gado,  dos pequenos ruminantes e aves de capoeira em todo o território nacional. A  campanha que durará dois meses, conta com o apoio da União Europeia, BOAD e IBAR e deverá atingir mais de 2 milhões de animais em todo o território nacional, entre gado bovino, ovino, caprino e aves de capoeira.

O processo conta também com o apoio das organizações locais, nomeadamente das ONG’s que intervém na zona. É o caso da DIVUTEC que contribiu com o combustível para as motorizadas dos técnicos veterinários que deslocam ao terreno e patrocinou 28 programas radiofónios de educação e sensibilização de 30 minutos semanais durante 7 meses nas rádios locais.


Segundo informações que o Departamento de Comunicação recolheu, em várias localidades onde estão decorrer a campanha de vacinação, regista-se enormes dificuldades, sobretudo no que concerne a vacina de gado bovino. Isto porque nesta época da seca, os criadores libertam os seus gados para se pastarem livremente. Isso está dificultar de certa forma as actividades segundo os técnicos veterinários instalados nas diferentes localidades, razão pela qual, priorizaram os pequenos ruminantes (cabras e carneiros) e galinhas, enquanto se aguarda a concentração do gado bovino.

A campanha foi desencadeada no âmbito do surto da doença de carbunculum registado no mês de Maio deste ano, na zona leste que veio tornar-se uma preocupação não só dos criadores mas também do Governo, conforme explicaram a nossa reportagem os técnicos veterinários da região de Gabú que se encontram no terreno, respectivamente Euclides João Correira, chefe de equipa de vacinação e Anssumane Mané, responsável pelo sector de Gabú.

Num balanço preliminar dos primeiros momentos desta campanha, o Delegado Regional de Veterinária de Gabú, Niclau da Silva faz uma apreciação positiva dos trabalho. Isto porque segundo ele, os próprios criadores estão compreender a importância de vacinarem os seus animais.

De acordo com o Delegado, os criadores aderiram a campanha, mas a dificuldade maior continua a ser disperssão dos animais que nesta época da seca, devido a situação de escassez de água e do pasto na zona, são libertados para pastarem livremente.

Outra dificuldade mencionada pelo responsável regional de serviços veterinários relaciona-se com o surgimento de focos de doença em algumas localidades, obrigando deste modo a equipa da campanha interromper a agenda para atacar este foco. Também nas zonas afectadas pela doença, os cadáveres dos animais mortos estão abandonados em ar livre e os jagudes abrem estes cadáveres, aumentando deste modo os riscos de propagação e permanência prolongada da doença, podendo contaminar outros animais.

Também, a negligência de alguns criadores que mesmo depois de notarem a doença dos seus animais não informam na devida altura aos serviços veterinários, recorrendo a auto-medicação. Foi isso que aconteceu com vários criadores onde o surto surgiu.

Perante a gravidade da situação, o delegado regional da veteritária chamou atenção as populações para evitarem de consumir carne dos animais mortos ou de animais doentes porque pode levar até a morte a pessoa que consumir esta carne.

 Medidas correctivas e estratégias para sucesso da campanha

Como medidas correctivas, as autoridades ordenaram o fim de matadouros improvisados nas estradas, tabancas e abates clandestinos, exortando a população a não consumir  carne não inspeccionado pelos serviços competentes.

Igualmente, os serviços veterinários aconselhou a população como medida de precaução, para queimarem com gasolina e enterrarem os cadáveres dos animais mortos como forma de evitar contaminações de outros animais.

Os serviços veterinários reforçaram o controlo de inspecção, passando fazer inspecção ante e após morte dos animais.

Para o sucesso da campanha, tendo em conta que ela acontece num momento em que os animais estão disperssos e descontrolados, o Delegado disse que a estratégia dotada pelos seus serviços consistiu na constituição de um cordão para atacar as zonas de foco. Daí, está optimista quanto ao sucesso desta campanha. Também aliada a boa colaboração dos criadores e apoio do Governo regional, organizações como o caso da DIVUTEC e da própria Associação dos Criadores de Gado na região. As zonas de foco indicados pelo Delegado são as localidades de Candemba no sector de Pitche, Tabadjam e Udá no sector de Gabú. Nestas localidades, ordenaram o abate de todos os gados infectados, sobretudo os pequenos ruminantes para evitar o alastramento da doença ou seja, a contaminação de outros animais. Disse que esta medida surtiu efeito positivo, porque ao que parece, a intensidade de propagação da epidemia diminuiu com este abate dos animais infectados.

O delegado apontou consequências grave deste surto ao nível da economia das famílias e na própria saúde das pessoas, uma vez que a maior riqueza das comunidades são as suas crias.

Satisfação dos criadores em relação à campanha

Os criadores enquanto beneficiários principaís desta campanha, manifestaram satisfeitos e congratularam com o Governo e os seus parceiros que directa e indirectamente contrbuiram para a efectivação e sucesso da mesma.

Em nome da chefe de tabanca de Sintchã Adulai, Salia Embaló afirmou que a campanha como esa é sempre bem vinda, pois, esta acontece num momento oportuno, tendo em conta o surto registado. Lembrou que o gado constitui a principal riqueza das comunidades locais, conhecidos tradicionalmente como criadores.

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Bovino e Suíno da região de Gabú, Aldje Sori Djaló, vulgo Sori Oré Weió agradeceu o Governo e todos os parceiros que apoiaram para  que esta campanha se torne uma realidade e defendeu que o sector pecuário representa grande percentagem do PIB nacional. Daí, deve ser apoiado e protegido, porque ele constitui mais de metade da economia da população rural do país sobretudo na zona leste e norte.

Para o reforçar a  colaboração dos criadores nesta campanha, são difundidos programas radiofónico semenal de uma hora na Rádio Gandal, em Gabú, no sentido de  sensibilizar as comunidades sobre a necessidade de vacinarem os seus animais, assim como as medidas de precaução a dotar face ao surto da epidemia, entre outras.

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