Lançado o projecto de Dinamização dos Sistemas de Produção Pecuário

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Com o objectivo de contribuir para o crescimento económico e redução da pobreza na região de Gabú, através da dinamização do sector pecuário familiar, foi oficialmente lançado, no passado dia 17 de Maio, naquela cidade, um projecto neste domínio.

As linhas gerais do projecto foram apresentados pelo assistente de Programa da DIVUTEC, Iaia Djau que explicou que, especificamente, o projecto pretende aumentar a produtividade dos sistemas de produção pecuários, dando particular ênfase ao maneio alimentar e sanitário de gado bovino, pequenos ruminantes e aves.


É um projecto de parceria entre a DIVUTEC e o Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e co-financiado pela União Europeia e, destina-se a apoiar os criadores de gado da região. Nesta primeira fase, o projecto cobrirá os sectores de Pitche e Gabú e terá uma duração de 3 anos.

Para a materialização dos objectivos preconizados, prevês-se a implementação de várias acções, nomeadamente, reabilitação e equipamento de sede da Associação dos Criadores de Gado na região “Garré Batodem”; capacitação dos seus membros em diversos domínios como (gestão associativa e aspectos políticos; administração e finanças; capacidades organizacionais, etc; criação e equipamento de uma farmácia veterinária; realização de campanhas de vacinação do gado em toda a região; construção e equipamento de 4 furos de água para o consumo animal e humano; formação sobre a produção da ração animal; montagem de unidade experimental de processamento artesanal com embalagem de leite; apoio às iniciativas de comercialização de leite nos mercados locais; realização de visitas de intercâmbio e de troca de experiências com organizações similares na sub-região.

O acto de lançamento deste projecto contou com as presenças dos representantes das diferentes estruturas do Estado na região, da delegação da União Europeia, do Instituto Marquês Valle Flor, da Direcção da DIVUTEC, dos Membros da Associação dos Criadores, autoridades tradicionais e religiosas, entre outros convidados e foi presidido pelo Assessor do Governador da região, Umaro Sanhá.

Na ocasião, o assessor do governador realçou a importância desta iniciativa e considerou-a de oportuna na região, tendo em conta o potencial que esta representante em termos de efectivo animal no país (+60%) e contribui com 90% do abate nacional.

Disse que gado constitui a principal riqueza dos habitantes da região de Gabú, tardicionalmente conhecidos como comunidade de criadores. Além de mais, disse que o sector pecuário contribui com 17% do PIB nacional. Facto que por si só demonstra a importância deste sector na economia da guiné-Bissau.

Mas, disse que, apesar deste potencial riqueza, as comunidades dos criadores vivem numa pobreza exterma, isto é, alimentam mal, habitam mal, sofrem de doenças e o índice de analfabetsimo é muito elevado no seu seio, resultado do fraco aporveitamento dos valores da cria. Por isso, disse que um projecto deste género é bem vindo na região e terá total apoio e colaboração do Governo regional e das estruturas descongestionadas do Estado.

Umaro Sanhá apelou os responsáveis do projecto no sentido de extender as suas acções para outros sectores da região, tendo em conta que têm os mesmos problemas e as mesmas necessidades em relação as suas crias.

James Falzon em representação da delegação da UE, reiterou a disponibilidade da sua instituição e continuar a apoiar acções de género, tendo em conta a sua importância na vida social, económica e cultural das populações, particularmente na luta contra a pobreza.

Encerrando o acto oficial do lançamento, o Coordenador da DIVUTEC, Demba Baldé reiterou o engajamento da sua instituição na materialização dos objectivos preconizados e na perspectiva de extender as acções para outras zonas, tendo em conta a sua improtância.

Repisando nos objectivos do mesmo, Demba Baldé explicou as razões que nortearam a concepção deste projecto que, segundo ele, resultou de diagnósticos realizados pelos técnicos da organização em 2009 cujos problemas identificados foram compilados e transformados num corpo de projecto que teve aval dos parceiros doadores.

Peritos em área de pecuária consideram que a Guiné-Bissau é um dos países mais ricos em gado, onde em termos proporcionais, é 3 gados por pessoa, ou seja, o número de gado é quase três vezes que o número das pessoas.

Neste quadro, se houver uma boa organização e gestão, o país até pode exportar carne para o exterior. Mas, infelizmente a população do país, apesar deste potencial, consome pouco carne, devido ao seu elevado custo e de pouco abate do mesmo nos matadouros dopaís que não reúnem as condições mínimas.

Isto para não falar do produto derivado do gado (leite) que é mal preparado, conservado e comercializado.

Na opinião dos consultores, se não for aumentado o abate e a comercialização do gado, o país corre riscos de mais conflitos entre agricultores e criadores, isto porque, enquanto aumenta o número de efectivos, reduz o espaço de pasto.

 

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